sábado, 11 de junho de 2011

Soneto 11


Amor é fogo que arde sem se ver

É ferida que dói e não se sente

É um contentamento descontente

É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que

bem querer

É solitário andar por entre a gente

É um não contentar-se de contente

É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade

É servir a quem vence o vencedor

É ter com quem nos mata lealdade

Mas como causar pode ser o seu favor

Nos mortais corações conformidade

Sendo a sí tão contrário o mesmo Amor

(Luiz Vaz de Camões)

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